ÉTICA, UM PRINCÍPO QUE NÃO PODE TER FIM.

Bem vindo prezado leitor! A notável frase que utilizei como título do presente artigo é de autoria
de um amigo meu, o Aroldo Mendes Araújo, profissional de comunicação de mão cheia, sendo
que a utilizei como título do presente artigo por considerar que nunca esta afirmação se tornou tão
pertinente, diante dos tenebrosos tempos que estamos vivendo em nosso País.

Isso porque toda a sociedade brasileira está sofrendo atualmente as consequências desastrosas decorrentes de um verdadeiro “apagão ético e de competência” que se instalou nos últimos governos federais e que
resultou no que já está sendo considerado como o maior escândalo mundial de corrupção de que se tem notícia, provocando a demolição dos fundamentos de nossa economia, sendo que uma completa identificação
de sua total dimensão ainda está longe de ter chegado ao seu final.

Para que se possa ter uma ideia da dimensão e da gravidade das consequências dessa situação, vejam ao lado os dois gráficos, que mostram a dramática redução do SUPERAVIT PRIMÁRIO, que vem a ser a geração de recursos pelo governo federal para o pagamento da dívida pública, sem considerar o valor dos juros, e, ao mesmo
tempo, o drástico crescimento da DÍVIDA BRUTA EM RELAÇÃO AO PIB.

Para efeito comparativo, se o Brasil fosse uma empresa, ela não estaria sendo capaz de gerar um saldo de caixa capaz de pagar o principal de sua dívida, sendo necessário aumentar cada vez mais o volume de seu  endividamento para continuar operando. É fácil perceber que essa empresa estaria sendo levada rapidamente para a sua quebra!

Este tem sido o tema dominante em praticamente todos os meios de comunicação e resolvi abordá-lo em uma coluna que tem o seu foco voltada para o Mundo Empresarial, tendo em vista que considero que o
Brasil somente poderá voltar a encontrar o seu caminho através da atuação articulada de seus EMPRESÁRIOS, pois acho improvável que isso possa ocorrer através de seus POLÍTICOS.
No artigo anterior, de título: “VOCÊ FAZ EM SUA EMPRESA O MESMO QUE CRITICA NO GOVERNO FEDERAL?” mencionei uma série de práticas que, caso estejam ocorrendo na organização sob sua responsabilidade, indicaria que nela estariam sendo utilizadas práticas que você
provavelmente critica muito no Governo Federal. O Brasil está passando pela mais grave crise política, econômica e social de sua história, que, como acima mencionado, tem a sua origem fundamental em um colapso ético e de competência que se estabeleceu nos últimos anos, principalmente no Governo Federal, e cujas consequências são tão graves que comprometem o seu destino como nação, pelo menos em um horizonte de duração ainda incerto.
Isso porque, ainda mais difícil de superar a atual gravíssima crise econômica, que exigirá uma elevada dose de competência, a qual supostamente existe nos quadros melhores qualificados do País e que não
estão no governo federal, será o desafio de restabelecer padrões éticos nas relações entre pessoas, empresas e governos, que sofreram enorme deterioração, pois os governos tem uma enorme capacidade de dar o
exemplo e de consequente indução neste terreno.

Isso porque é possível se observar o que poderia ser chamado de “banalização das transgressões éticas”, que ocorrem de modo amplamente difundido nas mais diferentes formas através das quais se estabelecem as
relações na vida social, profissional, empresarial e institucional em nosso país. Os exemplos mais notórios são a corrupção sistemática que se estabeleceu nas relações das maiores empreiteiras do país com a PETROBRÁS, que foi replicada em transações realizadas junto a empresas do SETOR ELÉTRICO, que agora começam a aflorar, o mesmo tendo ocorrido no SETOR DE TRANSPORTES, em que vários escândalos foram identificados já há algum tempo atrás e que atualmente perderam um pouco a sua visibilidade, devido às dimensões alcançadas pelo PETROLÃO, bem como junto às grandes FUNDAÇÕES DE SEGURIDADE, que também ainda não afloraram em sua plenitude e que estarão prejudicando a estabilidade dos benefícios de muitos milhares de seus segurados.
No que diz respeito às grandes fundações de seguridade, chegou-se ao cúmulo da existência do que foi denominado de “CLUBE DO SIM”, em que projetos sem qualquer mérito eram aprovados para receberem recursos vultosos, para os quais os seus gestores sempre diziam “sim”, desde que fossem originados de “companheiros”, e que dilapidaram o equilíbrio atuarial dessas instituições. O mesmo pode ser dito dos grupos empresariais que foram “escolhidos” para se tornarem em “campeões nacionais” e que passaram a receber
bilhões em financiamentos a custos subsidiados pelo BNDES, em detrimento de milhares de outras empresas que não contavam com esse apadrinhamento. Os empresários que tentaram e não conseguirem obter os financiamentos
incrivelmente baratos (juros de cerca de 3% anuais) do denominado PSI (Programa de Sustentação do Investimento), sabem bem ao que me refiro. Diante da abrangência e dimensão dessas situações,
não posso deixar de me lembrar de uma famosa frase de Rui Barbosa, que, se referindo a uma situação tal
como a que estamos atualmente vendo ocorrer no Brasil, é de candente atualidade: “De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agitarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto” – Rui Barbosa. 3A gritante atualidade desta frase nos coloca diante de uma questão
central, qual seja: O Brasil não conseguirá retomar uma trajetória de crescimento, caso não ocorra um acentuado resgate dos padrões éticos que norteiam as relações pessoais, empresariais, legislativas, judiciárias
e governamentais! E para que isso possa ocorrer será necessário que cada cidadão faça a sua
parte! Isso precisará incluir desde o não oferecimento de uma gratificação para o “guarda da esquina” para que ele não emita uma multa (praticando um ato de corrupção ativa), o respeito às leis de trânsito e as que beneficiam a terceira idade, a não utilização de “despachantes” para intermediar a obtenção de documentos ou serviços públicos (que é claramente outra forma de corrupção ativa), a não aceitação de “esquemas” fraudulentos para a realização de negócios, bem como o não pagamento de propinas para a redução de autuações fiscais, tal como as ocorridas no Conselho de Contribuintes, que são objeto de investigações da denominada “Operação
Zelotes”. E, Isso também precisará abranger o cumprimento das leis trabalhistas em sua empresa, a utilização de processos rigorosos de “compliance” capazes de evitar que atos fraudulentos sejam cometidos, o rigoroso cumprimento da legislação fiscal, o respeito por seus clientes e consumidores de seus produtos ou serviços, nunca permitindo que sejam cometidas fraudes em quantidades (tal como utilizar embalagens com menos peso do que o
anunciado), bem como não utilizando serviços de atendimento ao cliente terceirizados de péssima qualidade, e por aí vai. Essas são apenas alguns exemplos de milhares de situações que seIncorporaram “com naturalidade” à vida diária no Brasil, incluindo a eleição de políticos despreparados e com passado “ficha suja”, até se chegar ao mundo dos grandes negócios envolvendo as empreiteiras e os grandes contratantes estatais e governamentais, onde as práticas não éticas sempre estiveram presentes, e, em especial o “aparelhamento” dos diferentes órgãos do estado e de empresas estatais por “companheiros” que não possuem um mínimo de capacitação técnica e que são
designados para cargos estratégicos apenas para garantirem o estabelecimento de esquemas fraudulentos, tendo chegado essa situação ao paroxismo dos últimos anos. Nesse sentido considero notável uma campanha que vem sendo veiculada nos meios de comunicação pela Controladoria Geral da União (CGU) em
que se enfatiza o gesto de dizer NÃO às “pequenas corrupções”. O filme a esse respeito pode ser obtida através do
link: https://www.facebook.com/cguonline/app_137541772984354.  Para ilustrar, vejam abaixo uma relação de
“pequenas corrupções” que são amplamente praticadas por uma parte expressiva da população, por serem
consideradas equivocadamente como “irrelevantes” e que precisam ser extirpadas, de modo que seja possível criar um contexto cultural não favorável às “grandes corrupções”: falsificar carteira de estudante; fazer “gato” de TV à cabo, água e luz; comprar produtos falsificados, os chamados produtos “piratas”; furar fila e/ou usar indevidamente filas preferenciais em bancos e supermercados; colar na prova e/ou copiar trabalhos acadêmicos da internet; subornar guardas para evitar multas; apresentar atestado médico falso; desrespeitar lugar reservado em ônibus ou metrô e vagas de estacionamento especialmente demarcadas; declarar informações falsas no IR e sonegar impostos; receber troco a mais e não devolver; emitir notas fiscais “frias”; anotar cartão de ponto incorretamente; mentir sobre pequenos fatos do dia-dia (dizer que não está, dizer que fez o que não fez, etc..);
pagar propina para obter pequenas vantagens em órgãos públicos ou particulares; jogar lixo na rua; etc…
Evidentemente essa lista poderia ser bastante ampliada, porém as situações nelas contidas, quando incorporadas profundamente nos hábitos e costumes da população, indicam a existência de uma sociedade
complacente com a corrupção. Da mesma forma é importante refletir sobre o conteúdo de frases tais
como essas:  “Os políticos são o espelho de uma sociedade” “Não é a política que faz um candidato virar um ladrão, mas é o seu voto que faz um ladrão virar um politico” “De nada adianta limpar o espelho quando a sujeira está na nossa face!” Esse tipo de mensagem deveria ser objeto de um intenso processo de repercussão em todo o país, pois ou o Brasil consegue expurgar os hábitos de corrupção em suas diferentes modalidades, ou estará sendo
condenado ao que tem sido denominado de “eterna mediocridade”! O ponto que desejo deste modo destacar é que
um “choque de gestão”, por melhor que possa vir a ser feito a partir de algum momento ainda incerto no futuro (não acredito que existam condições mínimas para que isso possa ocorrer no atual governo federal), não será capaz dereverter a situação de declínio acelerado em que o Brasil foi lançado, caso não ocorra simultaneamente uma vigorosa restauração dos padrões éticos utilizados pela sociedade brasileira em seus
diferentes níveis.

A esse respeito fiquei muitíssimo bem impressionado quando tive a oportunidade de assistir na íntegra a uma recente entrevista coletiva que foi realizada por uma equipe de jovens integrantes do Ministério Público Federal de Curitiba, quando apresentaram, de modo preciso e altamente profissional, as conclusões referentes às investigações realizadas no decorrer de uma das etapas da Operação Lava Jato. Ver a seriedade e consistência com que esses jovens e abnegados profissionais apresentaram as suas conclusões foi um sopro de esperança que há muito tempo não havia sentido. Possivelmente essa postura indique um caminho, qual seja: o de utilizar o entusiasmo e a motivação patriótica de jovens profissionais, como forma de restabelecer padrões éticos em todas
as áreas desse país. Aliás, a profunda reformulação que foi realizada com grande sucesso por
William Bratton na polícia de Nova Iorque, utilizou exatamente a energia existente em jovens policiais, ainda não corrompidos pelas velhas estruturas, como estratégia para conseguir uma transformação que se
tornou em referência internacional. Cada um de nós precisa fazer a sua parte neste processo de transformação
e mudança de pequenas atitudes, sem jamais abandonarmos o combate aos grandes atos de corrupção vivenciados no Brasil.
Deveríamos buscar uma profunda transformação desse aspecto em todas as dimensões da vida nacional, inserindo profundamente o tema ÉTICA no processo educacional, de modo que as próximas gerações possam viver
em um país em que se torne concreto o sentido da frase que utilizei como título do presente artigo, que foi sugestivamente escrito na data comemorativa de nossa independência, e que deveria se transformar em
um lema nacional, ou seja:

“ÉTICA – UM PRINCÍPIO QUE NÃO PODE TER FIM!”
E como sempre, se desejar trocar ideias a respeito dos aspectos acima
mencionados, não hesite em entrar em contato comigo.

 

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